Conheça algumas das mulheres que mudaram a forma como conhecemos a engenharia hoje!



As áreas da engenharia e da construção civil carregaram por muito tempo o estigma de serem áreas essencialmente masculinas. Não há dúvidas que as mulheres passaram por muitas provações ao longo das décadas, enfrentando as mais diversas formas de desrespeito e desacreditação pelo simples fato de serem mulheres. Nesta luta as atitudes vão desde baixar a cabeça para não ser notada, até desenhar bigode no rosto, como foi o caso da brasileira Evelyna Bloem Souto, primeira aluna da engenharia civil da USP São Carlos que se “vestiu de homem” para assegurar sua entrada na obra de um túnel que visitava com sua turma em Paris, na França.


Para provar de uma vez por todas que o julgamento baseado no gênero é completamente infundado, e mostrar todo o nosso respeito e admiração por elas, neste Dia Internacional da Mulher vamos conhecer algumas figuras que fizeram (e fazem) a diferença na Engenharia, modificando a forma como a conhecemos.


1 - A brasileira Enedina Marques foi um grande exemplo de determinação e superação em uma época de forte discriminação racial. A moça negra de origem humilde, passou por muitos contratempos até conseguir entrar no curso de Engenharia Civil na Universidade Federal do Paraná. Em 1945, Enedina tornou-se a primeira mulher a se formar em Engenharia no estado, e a primeira engenheira negra do Brasil. Um de seus maiores feitos foi a construção da Usina Hidrelétrica Capivari-Cachoeira, considerada a maior hidrelétrica subterrânea da região Sul do Brasil.




2 - Outra brasileira que merece destaque é a carioca Aïda Espinola. Além de química, engenheira-química, pesquisadora e professora universitária, Aïda é uma das pioneiras na geração de eletricidade por pilha a combustível, tendo sido convidada pelo Centro Técnico Aerospacial Brasileiro para desenvolver um gerador de energia para o primeiro satélite brasileiro. Foi também uma das precursoras nos estudos das rochas dos reservatórios de petróleo no país, que mais tarde serviriam de base para as análises da promissora camada pré-sal.




3 - Em um contexto global, não podemos deixar de falar da talentosa Hedy Lamarr. Enquanto um dos ícones da beleza Hollywoodiana, a austríaca radicada nos Estados Unidos marcou história contrariando estereótipos. Durante a Segunda Guerra Mundial, Hedy criou um sofisticado aparelho de interferência de rádio para despistar radares nazistas, patenteando sua criação em 1940. A inspiração veio enquanto tocava piano com o seu compositor e percebeu que duas pessoas poderiam conversar entre si mudando a frequência do canal de comunicação. Essa descoberta possibilitou a criação do Bluetooth, Wi-fi e celular.




4 - Outra figura de destaque é a americana Edith Clarke, a primeira mulher a se formar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em 1918. Depois de se formar em engenharia elétrica, trabalhou como engenheira na General Eletric (GE), local onde desenvolveu a calculadora Clarke usada para resolver cálculos de linha de transmissão de energia elétrica. Dentre suas tantas contribuições originais, sua teoria de estabilidade e análise de circuitos lhe rendeu premiação da Sociedade Americana das Mulheres Engenheiras.



5 - Emily Roebling foi colaboradora de um dos maiores projetos de engenharia da história americana: a famosa Ponte do Brooklyn, finalizada em 1883. Iniciado pelo sogro, John Augustus Roebling, precursor das pontes suspensas, o projeto foi herdado por seu marido, Washington Augustus Roebling. Após uma grave doença do marido, a obra foi assumida por Emily. Com punho firme e muita determinação, Emily superou os obstáculos de um ambiente masculino e se tornou uma das mais respeitadas profissionais da área de exatas do país. Apesar dos conselhos de que as mulheres não precisavam de ensino superior, estudou matemática e ciências e, em 1899, aos 56 anos, recebeu um certificado em Direito Comercial da Woman's Law Class da Universidade de Nova York, que na época não admitia mulheres na sua faculdade de direito.


6 - Finalmente homenageamos um dos grandes ícones da engenharia na atualidade, a brasileira Deise Gravina! Percebendo o caminho natural na evolução da vida de mulheres em vulnerabilidade social, que costumam ter filhos e cuidar de uma casa, Deise buscou em uma forma de inserir no mercado da construção civil essa parcela da população economicamente dependente dos companheiros. Ela estruturou um projeto social chamado Mão na Massa, em que as alunas são guiadas desde os estudos até a contratação profissional, recebendo benefícios como bolsa auxílio, vale-transporte, alimentação e orientação nutricional. Esse projeto, aprovado pela Petrobras, forma técnicas capacitadas nas mais diversas áreas de uma obra. Deise, além de proporcionar a profissionalização, inspira muitas mulheres a buscarem sua independência e até mesmo sair de situações de submissão.




Felizmente o número de mulheres na engenharia e suas áreas vem crescendo nas últimas décadas. Em 2018, segundo dados do IBGE, foram 239.242 trabalhadoras registradas nos canteiros de obras. Hoje, mulheres competem em vagas majoritariamente ocupadas por homens como pintora e eletricista, sendo em muitos casos preferidas na hora da contratação por sua precisão, organização e atenção aos detalhes, como no caso de acabamentos e gestão de recursos.


Importante destacar que os avanços tecnológicos beneficiam as mulheres por irem na direção de utilizar cada vez menos força física para a realização das tarefas. Em alguns estados como Minas Gerais já existem leis que estabelecem cotas de 5% para mulheres em obras públicas.


A CRASA parabeniza e agradece enormemente a todas as mulheres por serem grandes contribuintes em todas as áreas de nossas vidas e por construírem feitos que perdurarão por gerações.

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